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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A concepção dos professores a respeito da atuação do psicólogo nas escolas privadas/ensino fundamental-Teresina


* Psicologia Escolar
O psicólogo educacional/escolar (PEE) possui sua atuação voltada para a melhoria do processo ensino-aprendizagem, vinculando à educação suas dimensões psicológicas e contribuindo para a formação integral do educando. Este trabalho tem como objetivo verificar concepções de professores acerca do papel do psicólogo educacional/escolar. Participaram do estudo 14 professores de escolas da rede particular de ensino de Teresina-PI, aos quais se aplicaram questionários semi-dirigidos.
Os dados apontam concepções agrupadas em quatro categorias sobre a função do PEE: “resolver problemas de ensino-aprendizagem”; “desenvolver trabalho interdisciplinar”, subsidiando professores e familiares a entender e lidar com comportamentos e dificuldades de aprendizagem; “fiscalizar educadores” e “desconhecem sua função”. Apesar dos dados revelarem concepções aproximadas acerca do papel do PEE, preocupa os relatos que o consideram fiscal da atuação dos demais educadores, visto que compromete a atuação interdisciplinar, deturpando sua função essencial de subsidiá-los, contribuindo para melhorar a qualidade do ensino e promovendo a formação cidadã.
A psicologia escolar, segundo Guzzo (2002), surgiu de legítimas necessidades educacionais e escolares, principalmente em ocorrência de problemas de aprendizagens e comportamentos apresentados por alunos. Gomes (1999) ressalta que sua importância serve como "instrumento dinâmico", podendo ser utilizado para beneficiar o processo ensino-aprendizagem.
para que a psicologia escolar se desenvolva em país, é necessário levarmos em conta as condições internas em que se encontra o mesmo, assim como sua realidade econômica; visto que, a qualidade nos serviços da psicologia escolar tende a existir em países que dão um alto valor na educação e cujo sistema educacional está bem desenvolvido. E além desses, alguns problemas podem por em risco o desenvolvimento da psicologia escolar, como a falta de profissionalismo dos psicólogos escolares, descrições vagas e inapropriadas da profissão, "dificuldades" na preparação de normas, poucos P.Es. são preparados para a pesquisa e à insatisfação profissional por parte de alguns profissionais.
A inserção do psicólogo escolar no ambiente escolar é de fundamental importância, pois, além de contribuir no processo de melhoria da qualidade de ensino; fornece à educação suas dimensões psicológicas.
A Psicologia Escolar no Brasil teve seu início marcado mais pela psicometria. Durante meio século, os serviços psicológicos se caracterizavam pela avaliação de prontidão escolar, organização de classes, diagnósticos e encaminhamento para serviços especializados. Era uma atuação marcadamente remediativa com nuances do modelo médico dentro da situação escolar .
* A atuação do psicólogo escolar
Novaes (1996) fala do papel que o psicólogo tem em relação à necessidade da melhoria do processo educativo; bem como de promover uma mudança social. O psicólogo escolar também está relacionado com sua capacidade de auxiliar os indivíduos a enfrentar futuras situações que lhes afetarão em sua vida.
Então, para que o psicólogo escolar (P.E.) tenha êxito no contexto escolar, é necessário que o mesmo inicie sua ação conhecendo a instituição onde vai atuar. Não esquecendo que o ensino-aprendizagem por ser dinâmico, multidimensional, necessita ser realizado com a colaboração da "equipe", ou seja, com os demais funcionários da escola, realizando um trabalho interdisciplinar.
"O psicólogo escolar deve ter objetivos mais amplos do que remediar problemas individuais. Se o trabalho do psicólogo na escola se restringir ao atendimento do aluno-problema, estará não só limitando sua atuação, a qual poderia, se de outra forma, atingir um número maior de estudantes, como também estará contribuindo diretamente para a manutenção do modelo educacional vigente e que é a origem e a causa de muitos dos problemas encontrados nas escolas."
O P.E. encontra muitas dificuldades para sua atuação. Essas vão, desde a falta de uma lei federal que exija sua permanência na escola, até, a certa resistência por parte dos outros profissionais da escola.
Vale lembrar que, como se trata de uma profissão relativamente recente, a função do P.E. tem sido percebida de forma errônea pela escola, sociedade, pelos pais, alunos e até mesmo entre os próprios psicólogos.
E como se não bastasse, ainda acarretam ao mesmo a função clínica, impondo ao psicólogo escolar, o que ele deve fazer com o "aluno-problema"; esperando assim que o P.E. faça uma terapia com o aluno e sua família; com objetivo de resolver o problema do aluno.
* O psicólogo no cotidiano da escola: re - significando a atuação profissional
Essa re-significação deve ter como bases referenciais teóricos que considerem os processos interativos, conscientes e inconscientes, inerentes aos sujeitos em processo de ensino, numa perspectiva psicodinâmica e sócia - histórica focalizando o sujeito em relação. Tornando-se necessário a conscientização de papéis, de funções e de responsabilidades dos sujeitos participativos do processo educativo, possibilitando a (des) construção ou a reconstrução de uma nova identidade profissional para o psicólogo que atua na escola.
Assim, deve-se buscar descutir e selecionar os elementos que constituem o processo da relação ensinar - aprender e as formas pelas quais os psicólogos, no contexto escolar, podem contribuir com a promoção do desenvolvimento individual, coletivo e institucional dos sujeitos em relação, procurando resgatar a especificidade da profissão.
A atuação psicológica na escola privilegia o enfoque de uma ação preventiva, mas não pode, a priori e preconceituosamente, rejeitar de todos os ensinamentos e a experiência acumulada do modelo clínico, pois no âmbito escolar, tal fato deve acontecer apenas em caráter emergencial e não psicoterápico.
* Resultados da Pesquisa
Percebeu-se que a função do psicólogo no ambiente escolar é algo visto sob dois ângulos extremos. Ou ele serve como "o salvador da pátria", dotado de "poderes" que solucionarão todos os problemas existentes no ambiente escolar e se estendendo aos familiares dos educandos; ou é visto como alguém que está a serviço do diretor da escola para "fiscalizar" os demais funcionários, e que desta forma, poderá atrapalha o trabalho do professor, pois o psicólogo não passa o tempo todo dentro da sala de aula com aluno, só o vendo assim, em algumas sessões. Isso, salvo em alguns professores que vêem o psicólogo como um aliado e facilitador no processo da formação do aluno como um todo.
Diante dessa situação, o psicólogo escolar deveria fazer uma re-significação da sua atuação na instituição escolar, para que através da interação com os demais funcionários, ocorra uma conscientização da função, de papéis e responsabilidades que cada um deve ter; que segundo Guzzo (1999), possibilitaria a reconstrução de uma nova identidade profissional para o P.E.
Cabe agora ao P.E. mostrar seu trabalho, valendo-se de seus conhecimentos psicológicos, com objetivo de aumentar a qualidade no processo educacional. Ou seja, para que o mesmo seja visto como um educador, que leva em consideração o contexto social em que a criança está inserida; desenvolvendo assim um modelo educacional multidisciplinar, em conjunto com os demais profissionais da escola, visando à formação da criança.

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